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Pesquisador da área de leitura e literatura. Fã de Guimarães Rosa, Miguel Sanches Neto e Ana Maria Machado.Profissional da educação.

domingo, 21 de agosto de 2011

Romantismo

Estas são algumas das principais características do Romantismo:

• Liberdade de criação e de expressão
• Nacionalismo
• Medievalismo
• Tradições populares
• Individualismo, egocentrismo
• Pessimismo
• Escapismo
• Crítica social

Além dessas características outras tendências se observa:

* Nacionalismo, historicismo e medievalismo:
* Confessionalismo
* Pessimismo
* Crítica Social

Gerações românticas

* Primeira geração: indianista
* Segunda geração: Ultra-Romantismo, Mal do século, Romantismo egótico ou Byronismo.
* Terceira geração: Condoreirismo. Antecipa características da Escola Realista, que substituirá o Romantismo.

A cruz da estrada
(Castro Alves)

Invideo quia quiescunt.
LUTHERO (Worms)

Tu que passas, descobre-te! Ali dorme
O forte que morreu.
A. HERCULANO (Trad.)


Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pousar.

É de um escravo humilde sepultura,

Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.

Deixa-o dormir no leito de verdura,

Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.

Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.

Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.

Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.

Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.


Análise
  • Logo no título do poema se percebe a influência cristã, afinal a cruz é um símbolo religioso para os cristãos, além disso, colocada na beira da estrada indica que ali, naquele local, foi enterrado alguém. Antigamente, era costume dos senhores de escravos enterrá-los em qualquer lugar, pois os negros não eram vistos como seres humanos, mesmo como todo o processo de catequização feito pelos jesuítas e todo o discurso religioso tentando mudar esta visão.
  • Na primeira estrofe o eu lírico (quem “fala” no poema) faz um alerta aos viajantes que passem pela estrada, contando o motivo daquela cruz estar ali.
  • Ele segue o alerta, afirmando que não adianta atirar ramos de alecrim na sepultura, pois as borboletas serão espantadas e elas velam o sono do escravo no túmulo.
  • É possível perceber pelos versos que toda a natureza se manifesta, é um espetáculo de vida, na morte do negro escravo que só conseguiu sua liberdade depois de morto, portanto nenhum viajante deve incomodá-lo, por isso o alerta logo no início do poema.
  • Já é sabido que o poeta Castro Alves produziu uma poesia engajada na questão da escravidão (o que lhe rendeu a alcunha de “Poeta dos escravos”), assim, neste poema (como em muitos outros) ele apresenta uma crítica a escravidão, mostrando que o escravo só conseguiu a liberdade depois de morto.

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