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Pesquisador da área de leitura e literatura. Fã de Guimarães Rosa, Miguel Sanches Neto e Ana Maria Machado.Profissional da educação.

domingo, 21 de agosto de 2011

Vídeo do Realismo e Naturalismo

O vídeo abaixo mostra as principais características do Realismo e Naturalismo, contexto histórico, autores e obras.

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Pintura do realismo


  • No período realista a pintura se manifestou no tratamento da paisagem, sem a exaltação e personificação românticas demonstrou, simplesmente, uma reprodução desapaixonada e neutra, do que se oferece à vista do pintor. Passou, depois, aos temas do cotidiano, que tratou de forma simples e crua.
  • Principais nomes: Na França: adquiriu uma particular intensidade, contado com nomes como: Camille Corot, impulsionador do paisagismo realista; J.-F. Millet e Honoré Daumier, que retrataram a vida dura dos camponeses e do operariado citadino; Gustave Courbet, verdadeiro entusiasta da pintura morta; Édouard Manet, pintor multifacetado que abriu à sua arte novos horizontes.
  • As pinturas realistas causaram grande escândalo, os artistas eram acusados de agradar à arte, quer pelos temas banais, por vezes ofensivos, pelas cores (excessivamente mortas e bom gosto), pela falta de elaboração das composições. Mas, para os defensores, a representação da realidade era a última palavra em audácia artística.

Almoço na relva - Édouard Manet


O Vagão de Terceira Classe – Honoré Daumier


Jean-François Millet - Las espigadoras


Cathédrale de Chartres - Camile Corot

Romantismo

Estas são algumas das principais características do Romantismo:

• Liberdade de criação e de expressão
• Nacionalismo
• Medievalismo
• Tradições populares
• Individualismo, egocentrismo
• Pessimismo
• Escapismo
• Crítica social

Além dessas características outras tendências se observa:

* Nacionalismo, historicismo e medievalismo:
* Confessionalismo
* Pessimismo
* Crítica Social

Gerações românticas

* Primeira geração: indianista
* Segunda geração: Ultra-Romantismo, Mal do século, Romantismo egótico ou Byronismo.
* Terceira geração: Condoreirismo. Antecipa características da Escola Realista, que substituirá o Romantismo.

A cruz da estrada
(Castro Alves)

Invideo quia quiescunt.
LUTHERO (Worms)

Tu que passas, descobre-te! Ali dorme
O forte que morreu.
A. HERCULANO (Trad.)


Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pousar.

É de um escravo humilde sepultura,

Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.

Deixa-o dormir no leito de verdura,

Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.

Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.

Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores, se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.

Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.

Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.


Análise
  • Logo no título do poema se percebe a influência cristã, afinal a cruz é um símbolo religioso para os cristãos, além disso, colocada na beira da estrada indica que ali, naquele local, foi enterrado alguém. Antigamente, era costume dos senhores de escravos enterrá-los em qualquer lugar, pois os negros não eram vistos como seres humanos, mesmo como todo o processo de catequização feito pelos jesuítas e todo o discurso religioso tentando mudar esta visão.
  • Na primeira estrofe o eu lírico (quem “fala” no poema) faz um alerta aos viajantes que passem pela estrada, contando o motivo daquela cruz estar ali.
  • Ele segue o alerta, afirmando que não adianta atirar ramos de alecrim na sepultura, pois as borboletas serão espantadas e elas velam o sono do escravo no túmulo.
  • É possível perceber pelos versos que toda a natureza se manifesta, é um espetáculo de vida, na morte do negro escravo que só conseguiu sua liberdade depois de morto, portanto nenhum viajante deve incomodá-lo, por isso o alerta logo no início do poema.
  • Já é sabido que o poeta Castro Alves produziu uma poesia engajada na questão da escravidão (o que lhe rendeu a alcunha de “Poeta dos escravos”), assim, neste poema (como em muitos outros) ele apresenta uma crítica a escravidão, mostrando que o escravo só conseguiu a liberdade depois de morto.

Romantismo na pitura

Características da pintura:

* Aproximação das formas barrocas;

* Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador;

* Valorização das cores e do claro-escuro; e

* Dramaticidade

Temas da pintura:

* Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas;

* Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas; e

* Mitologia Grega

Principais nomes da pintura romântica: Goya, Turner e Eugène Delacroix.



Pescadores no mar – 1796 - William Turne


Nudez Feminina Reclinada no Divã (1825-1826) - Eugène Delacroix


Saturno Devorando Seus Filhos, Francisco de Goya


Batalha de Campo Grande - Pedro Américo - 1871

Primeira missa no Brasil - Victor Meirelles - 1860

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Arcadismo

O vídeo abaixo faz um resumo das principais características do período árcade, presentes não só na produção literária, mas também na pintura. Atenção para a letra da música que também apresenta elementos característicos do Arcadismo.

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Barroco

O período Barroco tem como principais características: a presença de linguagem figurada, uso de antíteses, paradoxos, metáforas, hipérboles e repetição. O principal representante desta escola no no Brasil é Gregório de Matos e em sua produção literária é possível encontrar três vertentes: satírica que, não raro, apresenta aspectos eróticos; lírica, de fundo religioso e moral e sacra, onde o que mais sobressai é seu senso do pecado. Acrescente-se a essas o conhecimento da realidade através dos sentidos, isso ocorre com o emprego de palavras que descrevem cores, perfumes e sensações táteis, auditivas e visuais; uso de símbolos que demonstram a efemeridade da vida: fumaça, vento, neve, chama, água, espuma etc.; emprego de frases interrogativas, demonstrando a incerteza do homem daquele tempo. Além disso, na temática do período Barroco predominaram temas como morte, fugacidade da vida e ilusão, castigo, heroísmo, cenas trágicas, apelo à religião, ao céu e arrependimento. Abaixo, serão apresentados alguns textos de Gregório de Matos para exemplificar algumas dessas características.


Buscando a Cristo

(estrofe 1)

1. A vós correndo vou, braços sagrados,

2. Nessa cruz sacrossanta descobertos,

3. Que, para receber-me, estais abertos,

4. E, por não castigar-me, estais cravados.

(estrofe 2)

5. A vós, divinos olhos, eclipsados

6. De tanto sangue e lágrimas cobertos,

7. Pois, para perdoar-me, estais despertos,

8. E, por não condenar-me, estais fechados.

(estrofe 3)

9. A vós, pregados pés, por não deixar-me,

10. A vós, sangue vertido, para ungir-me,

11. A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

(estrofe 4)

12. A vós, lado patente, quero unir-me,

13. A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

14. Para ficar unido, atado e firme.

  • 1 – 2 – 3 – 4. O poeta vê no corpo crucificado de Cristo um abrigo ou proteção que sua alma precisa.
  • 5 – 6 – 7 – 8. Por um lado, o corpo crucificado representa sofrimento, mas ao mesmo tempo dará ao poeta o perdão e a salvação, já que Cristo sofreu para salvar a humanidade e seu sangue tem sentido resgatador.
  • A medida que o poeta faz a descrição do corpo de Cristo, revela uma dimensão espiritual do sofrimento físico (braços cravados, olhos encobertos de sangue e lágrimas, pés pregados).
  • 3 – 4. Os braços abertos podem amparar e abrigar o pecador, porem estão cravados e imóveis para não castigar.
  • 7 – 8. Os olhos, encobertos de sangue e lágrimas mostram dor, mas estão abertos para o perdão e e fechados para a condenação.
  • 9. Os pés pregados e imóveis reforçam a ideia de grande sofrimento ao mesmo tempo que sugerem que Cristo não sairá de perto do pecador.
  • 10. O sangue vertido na cruz adquire um valor simbólico, pois é através desse líquido que o pecador será salvo.
  • 11. A cabeça baixa, mostra o fim das forças de Cristo e a sua morte física, porém é vista como uma atitude de amor, pois Ele baixa os olhos para a Terra, chamando o pecador.
  • 12 – 13 – 14. O desejo de união espiritual com Cristo é representado por um desejo de união física.
  • 1 – 5 – 9 – 10 – 11 – 12 – 13. O poeta inicia muitos dos versos desse poema com a expressão “a vós”, o que dá ao texto um sentido de oração.
  • Estão presentes no poema a razão e a emoção, a tensão entre a consciência do pecado e o desejo de salvação.
  • O soneto tem um tom que transmite a angustia do poeta diante de Cristo, ao mesmo tempo justiceiro e salvador.

Expressões amorosas a uma dama a quem queria - a Maria dos povos, sua futura esposa.


Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O Ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora
Quando vem passear-te pela fria.

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata, a toda a ligeireza
E imprime em toda flor sua pisada.

Oh não aguardes que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Gregório de Mattos

O tema religioso é muito comum nas composisções do periodo barroco, isso pode ser justificado pela pressõa que a igrja católica exercia nas pessoas no perído historico compreendido entre os séculos XV e XVI, além da Reforma e da Contra-Reforma religiosa. Isso faz com que o homem daquele período vivesse uma constante inquietação e com muitas dúvidas. Observe o soneto abaixo e responda as questões propostas.

Soneto

(estrofe 1)

1. Ardor em firme Coração nascido;

2. pranto por belos olhos derramado;

3. incêndio em mares de água disfarçado;

4. rio de neve em fogo convertido:

(Estrofe 2)

5. Tu, que um peito abrasas escondido;

6. tu, que em um rosto corres desatado:

7. quando fogo, em cristais aprisionado;

8. quando cristal em chama derretido:

(estrofe3)

9. Se és fogo, como passas brandamente?

10. Se és neve, como queimas em porfia?

11. Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

(estrofe 4)

12. Pois, para temperar a tirania,

13. como quis que aqui fosse a neve ardente,

14. permitiu parecesse a chama fria.


A ideia central do poema é a dificuldade em conciliar o sentimento amoroso e expressá-lo; ele foi dedicado aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da amada. Para mostrar essa contradição, o autor compõe o soneto a partir de antíteses (calor e frio, fogo e água; nos versos 3 e 4 da primeira esrofe e 9 e 10 da terceira). Nos ultimos versos as antíteses evoluem: “neve ardente”, “chama fria” (nos versos 13 – 14) reforçando a ideia de impossibilidade de expressar o sentimento. Há uma grande tensão no poema refletindo bem os conflitos do homem desta época que buscava uma síntese entre idéias opostas.Nos versos 3 e 4 há a presença de metáforas (característica muito marcante do período barroco), para se referir as lágrimas derramadas.


Pintura Barroca

Deposição de Cristo - Caravaggio

O enterro do Conde Orgaz – El Greco.

O Jardim do Amor – Peter Paul Rubens.


Rembrandt - A ronda noturna.


Principais característica da pintura barroca:

  • Assimetria, em diagonal - que se revela num estilo grandioso e retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista.
  • Grande contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos)recurso uado para intensificar a sensação de profundidade.
  • Realista, abrangendo todas as camadas sociais.
  • Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.

Alguns dos principais pintores barrocos:

  • Rubens (espanhol) – Em suas telas destaca-se o uso de cores quentes e vibrantes, principalmente no vestuário das personagens e na luminosidade da pele clara das figuras humanas, além disso se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Observe a Imagem 1.
  • Rembrandt (holandês) – Um dos aspectos que mais chama a atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem áreas de luminosidade mais intensa. Observe a imagem 2.
  • Caravaggio (italiano)- Caracterizou sua pintura de modo revolucionário principalmente no uso da luz. Ela não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção do observador. Observe a imagem 4.

  • Manuel da Costa Ataíde (brasileiro) – É Considerado o maior expoente da pintura barroca mineira, inspirou-se em estampas e gravuras de missais. Seu domínio técnico é surpreendente, em relação ao meio em que viveu, suas pinturas distinguem-se pelo refinamento e pureza das cores, e pelo espírito inventivo. Observe a imagem 4, na qual o artista utilizou a tecnica do claro-escuro.

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