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Pesquisador da área de leitura e literatura. Fã de Guimarães Rosa, Miguel Sanches Neto e Ana Maria Machado.Profissional da educação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Você não leu esse livro?!

Quem é professor de língua portuguesa ou estudante de letras já deve ter se acostumado com pessoas achando que sempre devemos saber tudo sobre o livro do qual elas perguntam alguma coisa. Mas isso é impossível, afinal como saber se estamos lendo exatamente aquele livro do qual vem a pergunta? Mas nesta semana descobri que é possível falar de livros não lidos. Quem ensina é o professor de literatura francesa da Universidade de Paris Pierre Bayard, na obra Como falar dos livros que não lemos?
O autor mostra, entre outras coisas, que conhecer a “fama” de uma obra fornece bons argumentos para até se escrever um artigo sobre ela. Além disso, ele explica que folheando um livro é possível falar com muita propriedade de seu conteúdo.
Bayard alerta também para as escolhas que fazemos. Afinal, ao eleger um livro para ser lido em determinado momento, o fazemos em detrimento de outros. Há uma infinidade de obras publicadas no mundo todo. Isso considerando somente os livros impressos, porque com o advento da internet a quantidade de textos publicados é muito grande.
Porém, de acordo com o professor, isso não nos impede de palestrar sobre determinada obra, e até defendê-la ou criticá-la com bons conceitos, causando uma boa impressão até no leitor mais voraz daquela obra.
Concordo em partes com essa obra. Afinal é impossível ler tudo que queremos, gostamos ou somos obrigados (pela mídia, por outros leitores, pelos alunos, etc.). Mas sempre acabamos lendo algo sobre a obra ou ouvimos, daqueles mesmos que nos pressionam, muito sobre ela, assim, sabemos bastante para reproduzirmos depois. Há a chamada bagagem leitora. Porém, para se chegar a ela é necessário que se tenha lido muitas outras obras, ou ainda textos especializados no assunto. Então, a prática da “não leitura” não deve ser estimulada pelos profissionais que tem a missão de formar novos leitores, eles devem se impressionar com o conhecimento prévio do professor de língua portuguesa ou do acadêmico de letras e formar o seu próprio arcabouço de leituras.
Concluindo o assunto, me senti consolado ao ler essa obra, afinal um aficionado por leitura é sempre um frustrado, pois nunca consegue ler tudo o que quer devido a grande quantidade, mas muitas vezes sei bastante coisa sobre a obra, de tanto ler sobre ela ou ouvir falar. No entanto, nunca me arrisco numa discussão por não ter lido. E agora “os problemas acabaram” haha. Sempre tinha a famosa frase na ponta líng ua: “como não tenho muito tempo pra leitura, só leio o que gosto”, mas gosto de tanta coisa e não consigo ler, isso significa que nunca vou ler o que alguma pessoa me indicou. E olha, posso dizer que a estratégia apregoada por Bayard funciona, porque escrevi este texto sobre a obra sem tê-la lido toda.

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